Que sentimento será esse que nos ata com nós tão cegos que aperta o peito e faz com
que nos pressintamos protegidos? Não importa gênero, raça, cor, credo ou
nacionalidade, lá está ele impregnando dessa razão que nos faz seres humanos, a
amizade!
Bem, é claro que a amizade pode ser destruída num momento de raiva. Mas, ao
contrário do amor, que quando acaba pode ser definitivo, a amizade pode ser retornada.
Só resguardando uma condição: qual seja, quando ao contrário de você, que é um
democrata convicto, chega um parente próximo e adota um “mito” político pra chamar
de seu! Vixe! Aí não, né? Misericórdia!
Esta divagação só veio após eu ouvir Kota, a cor da pele (Mills Records), o
décimo álbum do violonista, compositor e cantor Cláudio Jorge. Ele se valeu do termo
“Kota”, como são chamados os mais velhos em Angola – os que transmitem
conhecimento, como referência às cotas raciais no Brasil; enquanto o subtítulo “A cor
da pele”, ainda segundo ele, é o que define o destino de muitos brasileiros – quanto
mais escura, maiores as barreiras a serem vencidas na luta por cidadania.
Bem humorado, CJ revela que privilegiou a participação de músicos e parceiros
negros, mas abrindo algumas cotas para seus amigos brancos.
Chego a pensar que Cláudio pode ser meu amigo, tanto quanto já é de um
montão de gente que se refere a ele como um amigo de verdade – e não só porque ele é
um dos maiores violonistas brasileiros e um grande compositor, não… ele é gente boa!
Enfim, um bom amigo!
E o farto rol de amizades de Cláudio atravessou o oceano e encontrou apoio em
Angola, onde obteve recursos para gravar as treze faixas do CD: oito inéditas, parcerias
com Joyce Moreno, Nei Lopes, Joel Silva, Ronaldo Barcellos, Chico César, Wilson das
Neves, Elton Medeiros e Arlindo Cruz. Um baita time de amigos de fé!
Os arranjos são tocados por grandes instrumentistas do samba e da MPB,
exprimindo em cada faixa a musicalidade que faz de Cláudio Jorge um cara a ser
ouvido, e mais do que isso, a ser respeitado em sua grandeza!
Aquiles Rique Reis
Nossos protetores nunca desistem de nós.
Ficha técnica:
Produção Artística: Cláudio Jorge;
gravação e mixagem: Lourival Franco;
masterização:Carlos Mills;
designer da capa: Oliveira & Naccarato – d’après Rubem Valentim;
gravação: Estúdio Vale da Tijuca Voz, violões, kalimba e arranjos: Cláudio Jorge;
André Siqueira (tumbadoras, pandeiro, xequerê, ganzá, agogô, talkig grum e efeitos);
Marcelinho Moreira: tamborim, pandeiros, tan tan; palmas: Augusto Martins, Cláudio
Jorge, Carlinhos 7 Cordas, Pedro Franco Gabriel Versiani, Ivan Machado: contrabaixo;
flautas e arranjo de flautas: PC Castilho; violão de 7 cordas: Carlinhos 7 cordas;
percussões: Marcelinho Moreira (pandeiros, tan tan, caixa, ganzá, tamborim); flautas e
arranjo de flautas: Humberto Araújo; violino: Pedro Franco; teclados: Luiz Otávio;
trompete: Diogo Gomes.
Ouvir o álbum:
https://youtube.com/playlist?list=OLAK5uy_kyECD9WrCetACzM90NNM375nkfAeS
9gXg&si=uL78c391yFZUDscH

