Quando instrumentos populares se unem aos sinfônicos, o resultado é um álbum de excelência

Hoje trataremos do álbum Do Chamamé ao Carimbó (Apoio Lei Aldir Blanc e Proac)
que reuniu o Quarteto de Cordas Ensemble SP a dois dos maiores percussionistas e
pesquisadores do país, o baterista Edu Ribeiro e o percussionista Ari Colares. Para
tanto, os seis músicos optaram pela diversidade melódica e por ritmos percussivos,
criando um panorama musical do Norte ao Sul do Brasil.

Vamos às sete composições autorais do CD.
“Maracatim” (Maracatu/Baião – Nordeste): os violinos do Ensemble iniciam.
O ritmo de Edu Ribeiro e Ari Colares vem trazendo a pegada do maracatu e do baião
nordestinos. O contraste é mágico. A dinâmica entusiasma belamente a beleza do
arranjo. “Canoa” (Tambor de Crioula – Maranhão): o Ensemble ataca
vigorosamente. Os tambores de Crioula reagem à altura. A fortaleza da pegada é
diabólica. Meu Deus! “Cebola no Frevo” (Frevo – Nordeste): o tambor puxa e a
percussão se expande. O violino achega-se com sons aleatórios, assim como fazem os
ritmistas. O frevo vem de leve, com o arranjo modelando-o ao sabor da inventividade.
“Dona Dindinha” (Carimbó – Norte): Eita, ritmo e cordas vêm arrasando na pujança
de seus instrumentistas! E a presença do carimbó paraense se mostra por inteiro. Um
intermezzo dos ritmistas demonstra toda a sua versatilidade, em comunhão com sons
indígenas e africanos – é a melhor faixa do álbum! “Mathias” (Chamamé – Sul): as
cordas iniciam delicadamente. A percussão traz o chamamé sulista. Desenhos das
cordas criam um clima de tensão no arranjo, ao qual as cordas tratam de incrementar.
Outra linda interpretação! “Quilombo” (Jongo – Sudeste): o tambor arrepia a intro do
jongo brasileiro. A percussão lhe dá apoio. O couro come e as cordas pontuam na
atmosfera jongueira. “Carimbó Improvisado” (Carimbó – Norte): Vixe, que lá vem
de novo a pujança do carimbó, com sua cadência malemolente e sensual. Os violinos se
jogam no improviso e na concepção do arranjo que assume toda magnitude amazônica.
Meu Deus!
Gente, os camaradas foram fundo na onda. É verdade! Olha só: a sonoridade das
cordas do Ensemble, somada aos instrumentos de percussão, antes de criar qualquer tipo
de inconsistência, pelo contrário, alcança enérgica identificação. A maneira desabrida
com que os músicos sinfônicos buscaram atiçar a sua pegada popular desaguou no
alinhamento dos músicos populares que retribuíram, fazendo-se ouvir plenos. Todos
correspondendo tanto às expectativas mais otimistas, quanto ao sucesso da empreitada.
Eis um trabalho a ser conferido por quem ama música. Enriqueçamo-nos
ouvindo-o com toda atenção!
Aquiles Rique Reis
Nossos protetores nunca desistem de nós.
Ficha técnica: Quarteto de cordas Ensemble SP: Marcelo Jaffé (viola), Betina
Stegmann (violino), Nelson Rios (violino) Rafael Cesário (violoncelo); Edu Ribeiro
(bateria) e Ari Colares (percussão). 
Ouça o álbum:

https://open.spotify.com/album/1y5tMpsLt7OHByQfDyLrfp?si=r9CVi4A3TI-IX6uGaE83yg