Hoje trataremos de Arcos Brasileiros (independente), álbum que reúne violino,
instrumento ligado à música europeia, e rabeca, cuja brasilidade remonta a tempos
ancestrais. E assim, somando atributos, os dois reafirmam sua gemelaridade.
Habituados a frequentar partituras musicais distintas, eis que o violino soa tão
popular quanto erudito soa a rabeca. E tudo graças a Vanille Goovaerts e a Ricardo
Herz, que se encarregaram de quebrar paradigmas – lembremos que em tempos
imemoriais o violino já foi chamado de rabeca.
Dissipada a ironia acima, convido-os a ouvir Arcos Brasileiros e ilustrarem-se
com a verve tão musical quanto pedagógica de Goovaerts, violinista francesa
apaixonada pela rabeca e pelo forró desde quando iniciou pesquisa sobre a música
brasileira em 2018, e de Herz, um dos nomes mais importantes do violino popular no
Brasil, reconhecido por sua técnica inovadora ajustada ao violino e à rabeca.
Arcos Brasileiros traz um repertório autoral e inédito (com exceção de “Odeon”,
de Ernesto Nazareth), expondo o timbre dos instrumentos que vibram em ritmos
populares com limpidez cristalina. Assim, a riqueza da sonoridade das cordas soa como
são: unha e carne em uma harmonia musical exata.
E o que rola é o inesperado revisto e ampliado: a bendita diversidade de xotes,
baiões, maracatus, frevos, os toques de Iúna e do boi, mais forrós, sambas, ijexás,
choros e marchinhas. Extraordinários!
Desde a primeira faixa, tem-se a riqueza da rabeca ampliada pelo violino,
comprovação arrebatadora do que virá a seguir. Logo uma peça de concerto dá lugar ao
som nordestino, popular que só ele e mais rico do que sempre. Extraordinário! As
cordas estalam seu ritmo em profusa magnitude. Enlouquecidas, clamam novamente à
nordestinidade, num preito à memória. Extraordinária! As cordas demandam e a voz
ajunta-se a elas. Gêneros vem e vão. Tudo alterna no compasso da criatividade dos
instrumentistas, e a relevância de Arcos Brasileiros transcende seu conteúdo,
extraordinário!
Ouçam com atenção cada faixa e preparem-se, pois o trabalho ainda será
acrescido de um segundo álbum a ser utilizado como playback, com faixas separadas
para uso pedagógico e acessível a músicos que não leem partitura ou com deficiência
visual. Essa segunda versão trará ainda um arquivo PDF com as partituras, permitindo a
circulação desse repertório no meio acadêmico e entre estudantes, e o registro
audiovisual do processo criativo, desde o gestual até à expressão corporal, anotados na
música popular.
Aquiles Rique Reis
Nossos protetores nunca desistem de nós.
Ficha técnica:
Concepção, violinos, rabecas e composições: Vanille Goovaerts e Ricardo Herz; áudio,
gravação, mixagem e masterização: Daniel Tápia; fotos: Carmen Fernandez;
vídeos: Gabriel Boieras; design gráfico: Bel Andrade Lima; produção executiva: Marina
Herz (Herz Produções); assessoria de imprensa: Débora Venturini.
Ouçam o álbum:
https://open.spotify.com/album/0gN0oCkZj5QfUXrXtfe3lQ?si=twZc8q86RC232NapFpe0cQ

