Hoje trataremos de Vozes Vissungueiras (apoio Lei Aldir Blanc e Proac), álbum que
busca reacender o Vissungo como forma de resistência e preservação cultural.
Mas o que é “Vissungo”? Bem, é uma tradição afro-brasileira e uma das formas
mais antigas e populares de canto. Originário das minas de ouro e diamante em Minas
Gerais, entoado em línguas africanas por escravizados. Seu canto expressa dor,
sofrimento e esperança na preservação da ancestralidade.
Ao álbum.
“Hino (Tangana Nzambi)” abre a tampa com o vissungueiro Enilson Viríssimo
– além de solista, Enilson é o guardião do repertório, contribuindo para a preservação de
cantos ainda inéditos e só agora gravados. A seguir, “Bendito (Louvado Seja)”: o
solista segue seu cântico, enquanto o coro responde com vocal aberto. Logo, um solista
declama os versos de “Entrada com o Quivimba na Igreja”.
“Meu Corpo Todo Me Dói” segue com a percussão e a cantoria do coro e do
solista. “Caxinguelê”: o violão toca a intro e junto com a percussão o solista dobra a
própria voz, enquanto o coro arrepia. “Kuenga” chega com o chocalho apresentando
dois cantores num canto malemolente. “Candamburu” rola recitado e logo o ritmo se
dá ao solista, que segue a sua reza. Em “Dondoronjó (Canto da Tarde)” o violão
ponteia com a percussão chocalhando e uma solista cantando sob o bater dos tambores.
A flauta inicia “Tinguê Canhama” que, acompanhada pelo violão, puxa o solista.
“Maria Combe” sobe com um duo vocal misto e logo uma solista canta arritmo.
“…lo vim de Aruanda” (com reticências): a timbila (um tipo de xilofone
originário do povo Chopi de Moçambique), rola com percussão e coro. Em “Jambá” o
violão ponteia, o solista canta e a percussão marca. “Nda popera (Apopuero Catá)”
vem com o violão e, em meio ao ritmo balançado, logo a solista eleva sua cantoria. O
tambor bate em “Dendengá”, o violão traz a harmonia e o solista atrai o coro de vozes
femininas e a percussão. E chega “Andambi”: a voz feminina se ajunta à masculina
para fechar a tampa.
Vozes Vissungueiras é um trabalho de fôlego sobre uma cultura que até hoje é
alvo de racismos, nos levando a entender quem somos, de onde viemos e para onde
queremos ir. Ouvi-lo é como presenciar um louvor à Cultura e juntar-se à comemoração
pela luta que a trouxe até aqui.
Aquiles Rique Reis
Nossos protetores nunca desistem de nós.
Ficha técnica:
Percussão: Gui Braz, Luciano Mendes, Otis Selimane e Salloma Salomão; cordas: Di
Ganzá; baixo: Marcelinho Dendém e Gui Braz; violão e guitarra: Gui Braz; flauta: Gui
Braz e Salloma Salomão; timbila: Gui Braz. Vozes: Graciela Soares, Luciano Mendes,
Mestre Enilson Viríssimo, Rita Teles e Salloma Salomão. Direção musical: Salloma
Salomão; arranjos: Salloma Salomão e Gui Braz; curadoria: Rita Teles, Luciano
Mendes e Joana Corrêa; mixagem e masterização: Nilson Costa. Artistas convidados:
Juçara Marçal, Sérgio Pererê e Tiganá Santana.
Ouça o álbum:
https://open.spotify.com/album/0VIELy5LYmGQJWbUerIvTT?si=8BW-
tGKQQveUNhbfn9xvTA

