Para a primeira coluna de 2026, vamos de MPB Ano Zero (independente, com apoio da
Biscoito Fino e da prefeitura do Rio de Janeiro, através da Lei Aldir). Álbum duplo que
é fruto de um projeto idealizado pelo jornalista e escritor Hugo Sukman, o cantor
Augusto Martins e o produtor Marcelo Cabanas, que reuniu 31 artistas em 22 gravações
inéditas.
Cabe ressaltar a magnitude da ideia. A força da chamada MPB está ali retratada
dentro de seu universo plural, sob os auspícios de vozes pouco conhecidas para muitos,
mas com um talento que revela a diversidade da música brasileira, diversidade esta que
faz dela a melhor do mundo.
Tudo começa com a gravação de “Bendegó”, de Claudia Castelo Branco e
Renato Frazão, pelo MPB4. Um detalhe: fomos convidados a apadrinhar o projeto
pelos idealizadores, que nos consideram um símbolo da história da sigla MPB.
Honrados pelo reconhecimento, não há como me furtar a passar tal informação.
A gravação ficou a nossa cara. Partindo da letra do Frazão, e amparados pela
potência melódica, rítmica e harmônica de Claudia, pelo arranjo de Paulo Pauleira,
tocado por seu piano, pelo baixo de João Faria e pela batera de Marcos Feijão, nos
vimos aptos a cantar a origem do Bendegó, síntese do projeto.
Ouvir as 22 gravações é comungar com a convicção que carece de se expandir
junto aos que se interessam pela MPB. Os 31 participantes são a cara e a coragem de
um Brasil que luta pra dar certo, cantando e resistindo às tentativas golpistas.
A força do MPB Ano Zero decorre, também, da presença de todos os videoclipes
e dos 21 minidocs contando a trajetória dos participantes (disponíveis no canal da
Biscoito Fino no YouTube), bem como de todos os instrumentistas e arranjadores que
se somaram à ideia. Alguns dos destaques: “Se Eu Quiser Falar Com Deus” (Gilberto
Gil), por Ilessi; “Canoa Canoa” (Nelson Ângelo e Fernando Brant), por Fred
Demarca e Juliana Linhares; “Máfia da Miçanga” (Almir Guineto e Luverci), por
Caxtrinho; “Pecado Capital” (Paulinho da Viola), por Marcelo Menezes; “Nasci
Pra Sonhar e Cantar” (Dona Ivone Lara e Délcio Carvalho), por Vidal Assis.
Ao ouvir MPB Ano Zero, cairá por terra qualquer dúvida que ainda reste, e que
se consolida através da desesperança de uma pergunta boba: “Será que não existe
ninguém novo na música brasileira de hoje em dia?” A resposta é, mil vezes não! Ou
melhor, trinta e uma vezes não!
Porque o papo é sério. Somando todo o material do projeto, tem-se nas mãos a
geração de um trabalho de referência. Quem quiser entender melhor a música que mais
representa a nossa gente, tem agora um documento no qual pulsam as músicas cantadas
por craques de voz ainda pouco conhecidas, tocadas por instrumentistas que precisam
ser ouvidos pelos amantes da música popular brasileira. A hora é essa, gente boa!
Aquiles Rique Reis
Nossos protetores nunca desistem de nós.
Ouça o álbum:
https://open.spotify.com/album/3XQVMaCuuGj0FHBnhRuMAm?si=2_Z_LVx4RWC_
eMh4rVl1yg
PS. Mais informações: @mpbanozero.

